terça-feira, 30 de setembro de 2008

Warhol em Africa


A riqueza cromática e organizada, deliberada, impacta nos olhos de qualquer pessoa. Parece ser inspirada em Warhol e faz-nos pensar como a especialização para alguém num lugar do mercado é algo tão simples como investir uns meticais numa pequena quantidade de doses de detergente e dispo-los de forma tão harmoniosa como esta para atrair os transeuntes como se da prateleira opulente de um supermercado se tratasse. É aqui que se percebe o impacto que o Yunus tem nestes pequenos ecossistemas.

Os Produtos

A arte de transformar a escassez de produtos numa composição artística e bela, fabricando a sensação de opulência está briosamente presente em quase todas as bancas. É curioso ver como a simetria perfeita e as doses de fruta compões um quadro organizado e belo mas simultaneamente prático e claro para quem compra.

Os Vendedores


Entrando no mercado de legumes, impressionou-nos a beleza e a hospitalidade daqueles que ofereciam os seu produtos, os vendedores do mercado pareciam estreantes na arte da venda. Foi curioso, num local onde tanta tradição há na arte da troca, a venda parece secundária, mas paradoxalmente mais bem feita pois é calma serena e nobre. Esta senhora era deteve-nos durante um pouco mais explicando como a manga seca podia ser usada no caril e aceitando tirar uma fotografia para a posteridade.

A Banca das Cores

Logo ao lado as cores continuam, organizadas em fantasias bizarramente belas contagiam-nos fazendo-nos pensar se não deveríamos já ceder aos espasmos consumistas que ainda se sentem no primeiro dia de desfrute deste local onde o tempo parou. A sabedoria local do Jorge desaconselha, prometendo haver mais para ser visto e assim prosseguimos para conhecer os vendedores do mercado dos legumes.


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Mercado

O passo acelerou, com a noção de que quanto mais cedo chegássemos ao mercado, mais haveria para ver e fotografar. O nosso primeiro encontro foi com os vendedores de peixe que dispunham um arco íris de sabores em caixas de madeira. O peixe galo, os moluscos descascados (chaça) os camarões, o peixe seco e os polvos competem pelas moscas tímidas que levantam voo quando apertamos o botão da máquina fotográfica. Os vendedores, esses contentam-se com o facto de verem as fotos que tiramos, soltando sorrisos guardados na alma, como se do seu primeiro reflexo se apercebessem. Mas o mercado é maior...e por isso fomos andando...

O Jardim da Memória



O Jardim da memória foi a primeira paragem do nosso passeio. Este espaço aberto para o mar, tapeteado de relva, mura uma homenagem à abolição da escravatura e foi inaugurado pelo ministro da educação e cultura em Agosto de 2007 e contem uma interessante selecção de bustos artesanais de homens importantes.

Inspiração Secular



Inspirado na vida e formas da ilha , o Jorge coloriu o pátio interior com uma palete alegre e os adornos decorativos que honram este ponto de encontro de várias culturas e gentes, ao longo dos tempos. Ancoras enferrujadas, cacos de pratos antigos, plantas de outras paragens, portões de ferro forjado e esculturas locais animam a conversa de quem se quer prolongar nas cadeiras de lona.

O Primeiro Amanhecer

O dia acordou radiante logo pelas 5horas da manhã, com os cânticos dos corvos que convidavam a tomar o pequeno almoço tranquilamente como se estivéssemos a "fazer horas" para depois sairmos para o primeiro dia de passeio. O Jorge fez de guia pelo "Yolupale" - o Palácio da Paz, fazendo planos descritivos dum futuro radiante que a casa há de recuperar.

domingo, 28 de setembro de 2008

Omuhipiti - O Esconderijo




Para aqueles que não sabem, Omuhipiti é o nome macúa para a Ilha de Moçambique. Talvez menos ainda saibam que significa "O Esconderijo". Foi porque visitei a maravilhosa Ilha de Moçambique em Agosto de 2008, porque me apaixonei pela ilha e pela sua gente, mas também porque achei o nome "Esconderijo" interessante para passar a ser um sitio onde escrevo reflexões sobre as viagens que tenho feito e que farei.

Benvindos todos os que gostam de reflectir e viajar no planeta, fazendo desse exercício uma desporto de alma e mente.

Parti, rumo a Moçambique no dia 4 de Agosto de 2008, esgotado física e emocionalmente com o vazio que se sente quando se acalça um sonho e ainda não se sabe como vai ser a noite seguinte. Levava na "mala" companhia boa: um primo da minha mulher - o Zé. Um homem nobre e notável, pai de 4 magníficos seres humanos e mentes brilhantes para acompanhar. Homem do Alentejo e da lavoura, da aventura e da aspiração, uma amizade que se confirmou e uma coincidência que apenas aconteceu para os que nela acreditam.

Passamos uns dias em Maputo, na companhia da fantástica comunidade de Portugueses, que neste caso foram orquestrados pelo João Trincheiras (que logo aproveitou para realizar um encontro startracking com cerca de 73 pessoas e que fez aproveitar para apadrinharmos mais 16 crianças carenciadas, do projecto - Um pequeno gesto). Mas não me detenho em Maputo, pois a nossa viagem tinha outro destino. Deixo apenas um enorme obrigado a todos os Portugueses em Maputo, pela hospitalidade e pela amizade que ficou.

Seguimos viagem para o nosso destino final - a Ilha de Moçambique, mas o avião não nos levou para além de Nampula. Foi lá que encontrei o meu irmão Jorge, onde conheci o meu sobrinho o Frederico!

Sete anos depois de "sofrer" uma picada (estrada de terra) de quase 200 kms, tive a sorte de acabar uma nova estrada antes da conversa com o meu irmão e com o Zé. Ao longo de todo a estrada fomos vendo pessoas à beira da estrada, a alguns comprámos caju para entreter a fome do pequeno Frederico de 2 anos.

Fomos recebidos na Ilha de Moçambique pela árvore secular que guarda a ponte e que parece lançar uma serpentina por cada feitiço de amor que lança a quem chega a esta pérola do Indico.

A Ilha cresceu, se não no seu tamanho, na sua gente. "Actualmente a Ilha conta com cerca de 15 mil pessoas" informou o Jorge, "sim, está mais degradada" constatei, "mas é muito bonita" rematou o Zé (com toda a razão).

Chegámos à "Casa" do meu irmão - "o palácio da paz", pousámos a mala apenas para cumprimentar a Ginja (Anifa de seu nome) e matar saudades. Depois de instalados nos quartos humildes e simples, sentámos-nos para desfrutar da vista de mar, no paredão de fronte da casa do meu irmão. A fome essa apareceu para interromper a vista, mas não a conversa sobre as obras que foram necessárias para construir a "pousada"...rapidamente recuperámos os lugares de luar contemplar as estrelas que moram neste céu. A noite foi fria, mas dormimos bem. Amanhã há mais...contarei como foi o 2º dia...o principio desta grande aventura.